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Eleições legislativas: o grupo dos Indecisos

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 29.09.15

Ora aqui está o grupo que vai decidir as próximas legislativas: o grupo dos Indecisos. Segundo uma sondagem recente (ontem) este grupo começou a descer para os 21% (!) e, com eles, a diferença da dupla PSD/CDS em relação ao PS.

 

Mas vejamos agora as vantagens de passar a pertencer a este grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem:

- as emoções estão ao rubro, os "a favor da dupla PSD/CDS" e os "contra a dupla PSD/CDS", a tal ponto que dizer-se do grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem é a posição mais inteligente: não "há pratos a voar lá em casa", como diz o Papa sobre certos dias difíceis nas famílias;

- divertimos-nos com as técnicas de sedução política de personagens que enganaram os cidadãos, assustaram os cidadãos, humilharam os cidadãos, e roubaram os cidadãos no seu presente, no seu futuro, e no futuro dos seus filhos. É até patético ver esta dupla dirigir-se à "classe média" como se ainda existisse uma verdadeira classe média, e não nos tivéssemos transformado num país de enormes diferenças sociais;

- a 5 dias do dia da votação é este grupo de Indecisos ou dos que Não Respondem que garante o suspense: afinal quem é que irá gerir os danos provocados pela dupla que abraçou a troika a tal ponto que "foi além da troika" porque os cidadãos "não são piegas" e, segundo um banqueiro, "aguentam, aguentam"?


É a vez dos cidadãos colocarem a dupla PSD/CDS a suar e a tremer, mantendo o suspense até ao fim. 

É a vez dos cidadãos lhes responderem à humilhação que lhes impuseram, "cortes", "impostos", "sacrifícios", para alimentar a finança e satisfazer "os mercados".

É a vez dos cidadãos utilizarem o pequeno e breve poder que mantêm, o de escolher os próximos gestores políticos.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

 

publicado às 10:58

O que os nossos amigos gregos tiveram de suportar para conseguir passar a sua mensagem dentro da suposta união europeia...

Duas eleições e um referendo no espaço de 9 meses.

Um suspense infernal do Eurogrupo até ao último minuto.

Limitação de levantamentos diários no multibanco.

Prensados contra a parede para aceitar a fórmula falhada.

Instabilidade no parlamento, dissidências e clarificação.


A mensagem dos gregos: queremos continuar a pertencer à UE, manter-nos no euro, ter condições de uma economia equilibrada e saudável e de um futuro viável para os nossos filhos e netos.


A fórmula falhada que lhes foi imposta, assim como a todos os países intervencionados e aos outros países da eurozona em geral, considera as variáveis dos gregos impossíveis de contemplar. 

Pertencer à UE e à eurozona não permite uma economia equilibrada e saudável nem um futuro viável.

Pertencer à UE e à eurozona não permite sair da lógica financeira em que a economia serve para a alimentar.

Pertencer à UE e à eurozona não permite flexibilidade que respeite as diferenças e especificidades de cada país.

Pertencer à UE e à eurozona não permite qualquer tipo de negociação (ganha-ganha), só a capitulação (ganha-perde).


Os gregos são hoje a antecipação do que nos espera.

Os seus desafios de Hércules são os desafios que nos esperam.


A mensagem dos gregos está agora mais viva do que nunca: há um povo que acredita ser possível uma outra fórmula que conjuga o euro com crescimento económico equilibrado e sustentável.


Mesmo considerando os constrangimentos que o euro nos impõe, há outras fórmulas. Porque não debatê-las abertamente, saltando por cima das regras absurdas de tratados que aliás nunca foram respeitados? Porque não tentar desenhar e verificar cenários possíveis para os países da eurozona? Em colaboração e não em confronto e imposição? Respeitando as diferenças e especificidades de cada país? Com flexibilidade e rigor e não com rigidez?

 

 

 

 

 

 

publicado às 18:48

Os trunfos de Jerónimo (d' A Vida na Terra)

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 04.09.15

Jerónimo é o parlamentar que mais gosto de ouvir nos debates da AR e nas entrevistas aos diversos canais de televisão. O seu discurso pausado, olhando sempre de frente para o interlocutor, a sua ponderação e simplicidade, a inteligência prática nos argumentos, as expressões de sabedoria popular que utiliza, saber de experiência feito, levam-me sempre a ouvi-lo com atenção.


Jerónimo surpreende quem o interroga e quem assiste às entrevistas. Na entrevista de ontem à RTP Informação, por exemplo, sobre a acusação da cassete, percebemos que essa classificação não se lhe aplica. E descobrimos, com alguma perplexidade, que hoje ele é o único parlamentar que escapa a essa classificação.

Sou um filho da terra, é uma expressão poética, como poéticos são todos os genuinamente portugueses. O seu amor à sua terra e ao país é genuíno, verdadeiro.


Os seus trunfos, além dos já referidos, são a autenticidade e a maturidade. As pessoas respondem sempre à autenticidade. E percebem sempre a maturidade.


Uma das preocupações de Jerónimo é a defesa dos recursos nacionais, das áreas estratégicas, os motores de uma economia saudável. Economia que serve uma vida digna para os cidadãos. Vida digna que não terá hipótese se não se negociar a dívida, se não se aliviar o serviço da dívida: 10 mil milhões de euros por ano.  

É por isso que insiste na preparação de um plano B, no caso de falharem as negociações com os credores.  

  

A novidade da mensagem de Jerónimo é a insistência na possibilidade da CDU poder vir a colaborar na gestão do colectivo, isto é, passar de uma posição de equilíbrio parlamentar, a que se chama vulgarmente de oposição, para vir a integrar uma solução governativa. 

Esta possibilidade depende, como o próprio lembra, da distribuição dos deputados na AR. É que as legislativas, lembra, não é para eleger o primeiro-ministro, é para escolher os nossos representantes na AR, os deputados. 

 

Depois da entrevista fiquei a reflectir na resposta sobre o apelo do PS ao voto útil: Voto útil para quem? Para quem recebe ou para quem dá?

É que nunca tinha pensado nessa perspectiva, acreditam? O voto deve ser útil para quem o dá, evidentemente.

 

 

 

 

 

 

publicado às 14:22


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